o que raios é inovação?

o que raios é inovação?

Atualmente a palavra inovação está muito presente nos artigos que lemos, nos desejos das empresas e, inclusive, nas conversas corriqueiras, não é mesmo? Tudo que gira ao redor de grandes ideias, grandes empresas e futuro se emprega a palavra inovação como significado de algo disruptivo, “fora da caixa”, muito legal.

Mas o que, de fato, é inovação? – [alguém se arrisca a dizer?]

A resposta correta para essa pergunta é: inovação é o valor percebido na entrega do seu produto ou serviço. O que isso quer dizer? Vou explicar! 😉

Como um ótimo plano de fundo trouxe um case sobre incubadoras em países de desenvolvimento.

Primeiramente, vamos relembrar que a mortalidade infantil era uma preocupação no fim do século XIX e assombrava, inclusive, cidades sofisticadas como Paris. Um médico chamado Stéphane Tarnier, obcecado por estatísticas, após uma análise em um cenário análogo com aves em chocadeiras, aprofundou seus estudos e descobriu que a regulagem da temperatura é decisiva para a sobrevivência dos bebês prematuros. Os resultados foram impressionantes: de 66% caiu para 38% a morte de bebês abaixo do peso após a incubadora de Tarnier. É claro que a incubadora sofreu muitos aperfeiçoamentos durante a história até os dias de hoje e tornou-se um item obrigatório em hospitais.

Porém, quando falamos de países em desenvolvimento a conversa muda um pouco. Enquanto nos EUA e na Europa morrem menos de 10 crianças a cada mil, em países como Libéria e Etiópia morrem mais de cem a cada mil. Porque as incubadoras além de serem equipamentos caros e complexos, necessitam de uma expertise avançada para consertá-las.

Após o tsunami de 2004 um hospital na Indonésia recebeu 8 incubadoras e em 2008 em uma visita ao local, Timothy Prestero [professor do MIT e fundador da organização Design that Matters] percebeu que as 8 estavam quebradas pelos picos de energia e pela umidade tropical e para completar, a equipe não tinham capacidade para ler o manual de reparo dos equipamentos que estava em inglês. Este fato constata o que alguns estudos sugerem: que 95% dos equipamentos doados para países em desenvolvimento se tornam inúteis nos primeiros cindo anos.

Mas Bruna o que isso tem a ver com inovação?! – [vocês devem estar se perguntando…]

Eis que o valor percebido de uma incubadora pode parecer bastante óbvio, certo? Porém quando existe uma mudança de contexto, seja ela qual for, existe a necessidade de revisitar a “inovação” proposta.

Prestero desenvolveu uma incubadora que além de assegurar a substituição das peças ainda garante a manutenção por técnicos capazes. Como? A ideia veio com Jonathan Rosen [médico de Boston] que observou que até nos menores vilarejos em desenvolvimento do mundo, existiam pessoas capazes de manter automóveis, como um Toyota Runner, em condições de funcionamento.

Após três anos de trabalho, a equipe da Design that Matters iniciou o uso do protótipo da NeoNurture. Por fora, parecia uma incubadora moderna, por dentro, os faróis dianteiros forneciam o calor, os ventiladores de painel asseguravam o ar filtrado e os alarmes eram fornecidos pelas campainhas de porta. O valor entregue na construção da incubadora supriu duplamente as necessidades: utilizava as peças de carros locais e os recursos para conserto.

Este plano de fundo ilustra muito bem o que é inovação pra mim.

Concluindo, a inovação, na minha opinião, é inevitavelmente limitada às peças e habilidades que cercam o contexto. A inovação trata-se de um trabalho de bricolagem, onde a partir de boas ideias e uma pitada de ousadia organizamos novas soluções com valor agregado em cenários existentes.

O que acham? Deixe seu comentário aqui e vamos conversar um pouco mais a respeito. 🙂